Vitrine de Natal da John Lewis: uma colherada de alegria festiva

Vitrine de Natal da John Lewis: uma colherada de alegria festiva

A batalha para deslumbrar o público começou em 24 de outubro de 2013. Foi a data marcada pela John Lewis para revelar suas vitrines de Natal. Vamos dar uma espiada por trás dos panos, onde a mágica acontece.

Quantas colheres de comer Grapefruit são necessárias para construir um corvo?

Não, isso não é uma pista de palavras cruzadas, mas o dilema enfrentado por Nikki Patel em Mitcham, na periferia da zona sul de Londres, enquanto está empunhando uma pistola de cola, uma coleção de talheres e uma folha de instruções.

Parte de uma equipe está criando as vitrines de Natal da John Lewis. Todos ocupados com o trabalho em um enorme armazém no qual tudo parece acontecer ao mesmo tempo.

O tema das vitrines daquele ano era “Floresta de Inverno”.

Circundando Nikki, um graduado recente em Arte, uma coleção crescente de Lebres do Ártico, Corujas, Doninhas, Malamutes do Alasca, Raposas e Esquilos.

Há também um grande número de Pinguins, o que transforma a definição de “floresta” em algo parecido com a calota de gelo ártico. Mas vamos tentar patinar sobre esse gelo.

O que torna esses animais tão brilhantemente construídos – e as pistolas de cola são indispensáveis – é que cada um é criado usando produtos domésticos que você pode encontrar na própria loja de departamentos.

Portanto, há Perús feitos de toalhas de banho, um triunfo de algodão que lembra um origami. Eles se sentam ao lado de pica-paus verdes, cujas penas são feitas de facas de cozinha idênticas, tendo uma tesoura como pé, e por bicos e olhos redondos. Esquilos vermelhos nascem de cafeteiras, com colheres de bebê compondo suas pequenas orelhas. Engenhosamente, alisadores e escovas de cabelo são usados ​​para fazer as Lebres.

Corvos espetaculares exigem caixas inteiras de talheres de aço inoxidável. Mais exatamente 93 unidades para produzir cada ave.

Sophie Conran projetou o uso de garfos para representar penas, duas colheres fazem os olhos. Os pés são garfos de peixe e uma colher foi utilizada para criar o pequeno bico afiado.

Eu não tinha ideia que alguém ainda vendia colheres de comer grapefruit, mas finalmente, alguém encontrou um uso para elas.

Os animais, cheios de humor e imaginação, são uma novidade para a John Lewis, que tem uma reputação de vitrines conservadoras – em sintonia com uma empresa que não se atreveu a anunciar na televisão até 2007.

“Nunca conscientemente emocionante” era a regra não dita para suas criações de Natal. Foi assim que a rede de lojas era regularmente ofuscada por rivais mais chamativos como Harrods, Harvey Nichols e Selfridges.

“Nossas vitrines nunca foram chatas”, diz Robb BloomerGerente de Design de Varejo da John Lewis. “Mas elas têm sido sempre sobre o produto: o produto é rei. Este ano, queremos fazer algo um pouco mais contemporâneo, um pouco mais moderno, um pouco mais divertido. Queremos que as pessoas façam fila em volta do quarteirão, então tivemos que fazer algo um pouco diferente. “

Isso não é tarefa fácil. Os varejistas vem instalando vitrines de Natal desde a Revolução Industrial, que permitiu a produção de uma placa de vidro grande o suficiente e comercialmente viável. Mas elas realmente decolaram na década de 1880, quando os londrinos da classe trabalhadora viajavam para o West End na véspera de Natal para contemplar nas vitrines presuntos, leitões e pudins expostos pelas grandes lojas, uma espécie de “substituto” para para que não podia consumir o produto real.

Após a Primeira Guerra Mundial, as Lojas de Departamento começaram a exibir nas vitrines também brinquedos e presentes, junto com os alimentos.

Mas a arte utilizada na vitrine foi apresentada de forma realmente pioneira em Nova York.

Nos anos trinta, durante o auge do movimento de arte Dadaísta, artistas como Salvador Dalí foram chamados para criar cenas atraentes e às vezes surreais. Lá pelos anos sessenta, Andy Warhol estava projetando vitrines para a Tiffany.

Hoje, no dia da abertura das vitrines de Natal, os novaiorquinos enfrentam filas e têm de ser mantidos sob controle enquanto aguardam a sua vez de vislumbrar as vitrines da Bergdorf Goodman ou da Saks Fifth Avenue.

Você pode pensar que as compras on-line diminuiriam a importância das vitrines. No período que antecedeu ao Natal de 2012, a proporção de produtos comercializados online saltou de 10 para quase 15%, um valor que subiu ainda mais naquele ano graças à proliferação de computadores, tablete e celulares.

Com o crescimento do hábito de compras on-line as vitrines estão se tornando ainda mais importantes, de acordo com Neil Saunders, que dirige a Conlumino, empresa de pesquisa de varejo: “As |vitrines de Natal têm um papel a desempenhar nesta época – elas dão às pessoas uma razão para visitar uma loja física”, explica ele. “E, na época do Natal, os consumidores tendem a comprar em locais diferentes e a rodar muito mais, visitando lugares onde não costumam fazer compras. As vitrines são um grande anúncio, uma tentação para trazer o cliente para dentro da loja. Elas ajudam a definir o tom da data e a colocar as pessoas no espírito do Natal, que – os varejistas esperam – se traduzirá em impulso de compra. “

Ele não se surpreende que a John Lewis tenha experimentado algo um pouco mais ousado – “Eles estão se tornando muito mais criativos” – mas ele e mais alguns especialistas de varejo tem dúvidas sobre a opção da empresa em lançar a vitrine de Natal apenas uma semana após o Halloween.

Os consumidores podem reclamar que seja ainda muito cedo para apresentar o Natal, mas eles parecem responder aos esforços das lojas.

Karl McKeever, o fundador da Visual Thinking, dá conselhos para lojas sobre suas vitrines: “Muitos consumidores são resistentes à ideia de apresentar o Natal tão cedo. Mas isso é tudo sobre varejistas tentando atrair faturamento já em outubro. A maioria das pessoas já dispõe de fundos para começar a fazer as compras de Natal . As vitrines de Natal perfeitas precisam ter “o fator “aaah”, bem como o fator ‘beleza”, observa McKeever.

“Elas precisam aquecer o coração das pessoas. Se limitar a expor um lote de produto nas vitrines com algumas árvores de Natal não vai resolver a expectativa”.

É provável que os esforços da John Lewis passem no teste de criatividade. Quando os visitei no mês passado os animais ainda estavam sendo montados por uma equipe de 10 artistas e engenheiros da Staging Set Square, uma empresa especializada na criação de jogos para companhias de ópera. Mas hoje eles serão revelados nas vitrines da John Lewis da Oxford Street, e da Peter Jones, em Sloane Square, Londres.

Se você olhar bem de perto, você será capaz de ver um Pinguim ligeiramente bambo feito por mim. Eu estava autorizado a montar uma das aves marinhas feitas de saca-rolhas, com colheres, espátulas e um coador  – cuidadosamente vigiado por Nikki, que era boa o suficiente para não suspirar muito forte quando cheguei a me sentir ligeiramente feliz empunhando uma pistola de cola . “Não se preocupe, é um grande desafio conseguir aplicar a cola para manter colheres de plástico unidas e forma correta”, disse ela com simpatia. Meu esforço inexperiente fez com que levasse toda a manhã, mesmo contando com um monte de ajuda.

Meu Papagaio do Mar, é claro, juntamente com as Pombas de Prata, Lontras e Renas em tamanho real feitas a partir de peças de aspirador de pó Dyson, destinam-se a fazer as pessoas sorrirem e a colocá-las dentro do espírito festivo – ao mesmo tempo em que subliminarmente façam os consumidores desejarem por todos esses objetos de uso doméstico incríveis.

Então, se alguém deve acabar com uma indesejada escumadeira – que se parece estranhamente com um pé de Pinguim – sob a árvore de Natal este ano, eu só posso pedir desculpas.

ASSISTA AO VÍDEO:

Texto:

Fonte: http://www.telegraph.co.uk/topics/christmas/10402320/Christmas-shop-displays-A-spoonful-of-festive-cheer.html

Tradução livre: Eloiza Besouchet – Vitrine Mania

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Sobre o autor

Publicitária, Relações Públicas, Especialista em Marketing e apaixonada por vitrines.

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